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Mobiliário urbano feito em concreto armado no Uruguai apresenta design minimalista e propriedades antivandalismo

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Foi a partir de uma mescla criativa entre o concreto e o momento de descanso que a uruguaia Sofía Orellano pensou no Mento, um conjunto de mobiliário urbano minimalista fabricado em concreto armado no Uruguai. Sofia estava finalizando seu trabalho de conclusão do curso de design industrial. Ao estudar os entornos citadinos e, em especial, a cidade de Montevidéu, a artista observou como conviviam o tradicional e o moderno, que, em sua constatação, eram incongruentes na infraestrutura disposta e no comportamento dos usuários. Como uma tentativa de unir ambos de maneira harmônica, desenhou peças ergonômicas e ao mesmo tempo resistentes às ações humanas e ambientais, que pudessem ser instaladas em parques, praças e demais espaços públicos.

A coleção é composta por bancos modulares, banco integrado, mesas, cachepôs e lixeiras e todos os componentes apresentam a ideia de baixa interferência no ambiente, tanto no que diz respeito ao desenho das peças, simples, quanto em relação ao seu modo de produção. Como consequência de estudos urbanos e técnicos, definiu-se que o material deveria ser concomitantemente resistente, estar presente na região e ser antigrafitável. Polímeros do concreto foram alterados para que se atingisse uma propriedade impermeável à aplicação de tintas externas, à oleosidade e à água. Para manter o padrão de sustentabilidade, determinou-se possível a aplicação de cor unicamente na mistura do concreto. Segundo Sofía, há uma lista de pelo menos 15 cores disponíveis que a idealizadora garante se manterem durante os anos.

Dependendo de onde serão instaladas, a produção das peças é realizada in loco. Atualmente, há provedores de pré-fabricados que possuem os moldes Mento, acionados dependendo da escala de instalação. De acordo com a criadora, esta é outra forma de cumprir os padrões de sustentabilidade do selo Leadership in Energy and Environmental Design (Leed).

Além da produção, a aplicação desses conceitos pode também ser vista no traslado do conjunto, na manipulação das peças, em seu processo de fabricação simples e na garantia de longa vida útil, que dispensa manutenção anual e reposição de peças. Segundo Sofía, isso leva a uma redução significativa de emissão de dióxido de carbono. ERGONOMIA A ergonomia do conjunto contemplou dados antropométricos de uma população atual de ambos os sexos e faixas etárias. Então, foram estabelecidas amostras para beneficiar posturas de descanso e relaxamento e a interação com pessoas com deficiência física. Primeiro se estabeleceu um modelo teórico e logo se realizaram múltiplas provas práticas com usuários de diferentes idades, tamanhos e necessidades. A própria armadura de metal das peças está superdimensionada para poder suportar inclusive pessoas saltando sobre o mobiliário.

O projeto final recebeu a contribuição de fabricantes e de profissionais da construção civil para melhorar seu rendimento e seus processos de produção e de instalação. O mobiliário vinha sendo desenvolvido desde 2013, porém só pôde realmente sair do papel quando venceu um concurso de design realizado pelo Ministério de Educação e Cultura uruguaio, e só foi instalado em 2015. A parceria também com a prefeitura e o apoio recente da Agência Nacional de Investigação e Inovação (Anii) permitiu produzir as primeiras unidades em fábrica e instalá-las em dois pontos uruguaios: na Plaza Sainz, na cidade de Durazno, e no liceu Villa Cosmopolis, na capital.

O próximo local de instalação das peças deve ser no Sinergia Tech, um fablab em Montevideu. É nesta etapa que deve ser apresentada a tecnologia bluetooth do projeto. “A conexão com o usuário vai ser realizada de maneira intuitiva e será feita por seu smartphone”, diz Sofía. O adicional deve trazer informações sobre o mobiliário e o recinto em que está inserido, e gerar dados sobre o uso do espaço e do equipamento e sobre picos de uso e disponibilidade, que vão colaborar para a melhoria dos espaços.

Além de já ter planos para ser instalado na Fundação Pablo Atchugarry, em Punta del Este, Sofía está em busca de licenças de fabricação para o Mento em distintas cidades da América Latina. No momento, os principais objetivos são Brasil, Argentina e Paraguai.